sexta-feira, 17 de abril de 2009

Planejamento mal planejado

Esses dias eu estava “surfando” pelo site da prefeitura daqui de São José e vi um destaque sobre um Seminário de Planejamento Urbano (para quem não sabe, é um dos meus assuntos preferidos). Fiz a minha inscrição e me organizei para ir, o evento acontece entre hoje e amanhã no Parque Tecnológico.

Pois bem, cheguei lá todo lindão, com minha camisa verde abacate e minha super “cadeira elétrica”. Peguei minha credencial e logo que virei para trás, uma mulher me abordou e disse: “Por favor, me acompanhe, eu vou chamar uns rapazes para te ajudar as escadas...” , (escadas? Mas eu pensei que o parque tecnológico fosse um local moderno, que essas coisas não tivessem lá). Eu prontamente avisei, minha cadeira é pesada, acho que não vão aguentar. A mulher ainda me ofereceu uma cadeira manual... porém, se eu quisesse andar em uma, tinha ido na minha que é confortável, diga-se de passagem.



aí é escadinha básica, multiplica por dois porque tem mais um lance depois que virar à direita

Ela me contou que para eu não subir pelas escadas, eu teria que atravessar por fora. Perguntei se era longe. Ela respondeu com a maior cara lavada: tem que ir de carro. Juro, quase fui embora naquela hora.

Os “rapazes” subiram a cadeira e suas várias centenas de quilos. De primeira, já me encontro com o prefeito Eduardo Cury, PSDB, dando uma entrevista para uma rádio, mas segui meu cominho para o auditório.

Para cumprir o meu dever jornalístico, pelo qual fui lá, pedi uma entrevista com ele. Fiz aquelas perguntas de sempre sobre o evento e como a acessibilidade entra nas discussões do seminário. Ta, eu confesso “amarelei”, não comentei com ele a história da escada, mas deem um desconto, era a primeira vez que o entrevistava como prefeito.

Nas conversas de corredores, comecei a abordar os colegas de seminário, questionando a falta de acessibilidade para um evento que discutia o planejamento urbano. Será que eles não queriam que as pessoas com deficiência participassem? Ou eles imaginam que um cadeirante consegue subir escada?

O vereador da oposição Wagner Balieiro do PT, que sei que vai e este texto, achou aquilo um grande erro da prefeitura, mesmo parecendo só ter prestado atenção no detalhe depois que comentei.

Os “rapazes” que me subiram, me disseram que vão relatar essa falha ao prefeito. Logo depois do intervalo, encontrei o presidente da Urbam, Urbanizadora Municipal, Alfredo de Freitas, que é que, gerencia o parque, e ele afirmou que tomará providencias para sanar a falha e responsabilizou a antiga dona do local pelo problema. Porém, “meu bom homem”, isso não me convenceu, pois já faz um bom tempo que a prefeitura é que manda lá.

Depois, ele consultou seu engenheiro e depois disse que a solução mais rápida é a colocação de um elevador “portátil”, o que a meia-boca, resolve o problema, pois como me afirmou Wanderley Assis, do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência daqui de São José, CHEGA DE GAMBIARRA, CHEGA DE USARMOS ENTRADAS ALTERNTIVAS!!! Queremos entrar por onde todos entram!!!

Resumo da ópera, São José dos Campos se aclama a cidade que se preocupada com a acessibilidade das pessoas com deficiência, mas sua prefeitura tem várias falhas graves de acessibilidade em seus prédios de eventos e secretarias.

4 Cornetadas:

www.pessoacomdeficiencia.com disse...

São José dos Campos tem avançado muito na questão da acessibilidade, eu lamento que o Prefeito Eduardo Cury tenha autorizado que um evento que leva o nome da cidade ser realizado em um local inacessivel para quem tem dificuldade de locomoção, mais quero acreditar que as providências realmente serão tomadas, mais com atos que levem o cidadão com deficiência de encontro a sua dignidade plena e não com GAMBIARRAS (Como eu disse ao Daniel) do tipo elevador ou rampa pelos fundos.
Se vão fazer que façam coisas que resolvam o problema e não fiquem procurando soluções rapidas e baratas, as pessoas com deficiência tem que participar sim de todos os eventos da prefeitura para mostrar que somos parte da sociedade e temos que ser respeitados como cidadãos e que não vamos nos eventos para passear e sim para contribuir com nossas opiniões, parabéns Deniel pelo trabalho que (agora) você esta desenvolvendo.

Jairo disse...

Luiz, durante a minha vida profissional, tive de me submeter a diversas situações como essa que vc narrou, porém, meu amigo de batalha, nesse caso em especial, vc ERROU. Vc tinha que ter se imposto: que desça o prefeito, a mãe do prefeito, o vereador e o raio que o parta. Toda vez que vc baixa a cabeça nesse sentido, ainda mais por não ter questionado o administrador-geral da city, vc dá gás aos malandros... enfim.... Abraço

Cybelle Varonos disse...

Lú, concordo totalmente com nosso amigo global, tinha que ter colocado a boca no trombone, que a entrevista fosse na rua então!!!!
Não pode deixar passar, era uma oportunidade de fazer valer os direitos que lutamos tanto para conseguir...
Como andante eu te digo, se estivesse perto, quem iria gritar era eu, não deixo passar não, falo mesmo!!!
Beijossssssss

Fredy Andrade disse...

Lamentável caro Luis!
Infelizmente é um assunto que de certa forma tem um processo muito lento quando é questionado.
É incrível como as pessoas ainda não tomam conciência da igualdade para todos.
O problema não é apenas aqui em São José, que até ultimamente tem melhorado (pouco é verdade) nesses aspéctos de atençào aos deficientes físicos, mas sim em todo país!

Lamentável mesmo!
abraço!

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